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Os orientais chamam de Jiko-shisen-kyofu um tipo de fobia específica que consiste no temor do paciente de que seu olhar possa ser considerado ofensivo ou cause desconforto em outras pessoas. Esse é um tipo de síndrome que se manifesta dentro do contexto cultural específico da Ásia e não existem correlatos no mundo ocidental.

Aqui, o blog Mind Hacks comenta o recente artigo publicado em The Australian and New Zealand Journal of Psychiatry sobre o assunto.

Such patients feel deeply ashamed, demeaned, and unaccepted, and many eventually avoid social situations. A diagnosis of phobia of one’s own glance is not contingent upon whether or not a patient considers his or her thoughts to be excessive; therefore, neither the presence nor a lack of insight is essential for the diagnosis.

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Como sabemos que uma hora se passou sem olhar no relógio? Um artigo da Mad Science faz um apanhado bem acessível do que se sabe sobre como nosso cérebro vive o tempo: How do you really know what time it is?

In a series of experiments, Van Wassenhove and her colleagues found that what you see can change time perception. For example, if an object is looming in your vision and appears to be getting closer, perceptive time gets slower.

• Bônus: um artigo sobre a obra “O Tempo Vivido” de Eugène Minkowski, um clássico da psicopatologia fenomenológica.

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Muito esclarecedor e ilustrativo o texto This Is Your Brain on Metaphors publicado esses dias no Opinionator, blog do New York Times. O autor explica algumas funções cerebrais relacionadas à nossa inata capacidade de simbolizar.

Our brains are wired to confuse the real and the symbolic. And the implications can be as serious as war and peace.

(via Neuroanthropology)

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Aparentemente, a prática de Yoga aumenta os níveis de GABA no sistema nervoso central. É o que afirma o estudo Effects of Yoga Versus Walking on Mood, Anxiety, and Brain GABA Levels: A Randomized Controlled MRS Study


Segundo a matéria publicada na ScienceDaily:

Yoga has been shown to increase the level of gamma-aminobutyric acid, or GABA, a chemical in the brain that helps to regulate nerve activity. GABA activity is reduced in people with mood and anxiety disorders, and drugs that increase GABA activity are commonly prescribed to improve mood and decrease anxiety.

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Dois artigos interessantes (com dois pares de casos) sobre sintomas obsessivos envolvendo música:

Are Musical Obsessions a Temporal Lobe Phenomenon?

Clinical features in two cases with musical obsessions who successfully responded to clomipramine

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O show do Paul McCartney ontem no Morumbi deixou todo mundo com SOC desse tipo : )



A Nature organizou uma página especial com artigos sobre esquizofrenia. Vale a pena ler tudo com calma.

Schizophrenia is a condition experienced by over 0.5% of the world’s population at some time in their lives, and has a more debilitating impact on sufferers than most psychiatric illnesses, as well as a disproportionate societal impact. This special issue highlights the state of play and opportunities for progress in understanding, diagnosing and treating the condition.

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A medicina adora epônimos. Na psiquiatria não poderia ser diferente: há várias síndromes que levam o nome das célebres pessoas que as descreveram originalmente. Achei um artigo de revisão muito útil que funciona como uma espécie de mini-dicionário dos epônimos na psiquatria. Bom para ter nos favoritos:

Beyond Wernicke’s – A Lexicon of Eponyms in Psychiatry

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Grief Out of Darkness into Light - Jozef Israels (1834-1911)

Texto curto e interessante do Mind Hacks sobre os mitos envolvendo as reações de luto e perda. Um deles, muito difundido pela TV e pelos filmes, é de que o luto teria fases típicas e bem definidas. O post original traz os links de dois artigos recentes sobre o assunto. Vale uma olhada.

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No último Congresso Brasileiro de Psiquiatria tive a oportunidade de assistir a uma mesa muito informativa de estudos sobre os efeitos cognitivos da ayahuasca, uma bebida utilizada em rituais religiosos como o Santo Daime e a União do Vegetal.

Pesquisando sobre o tema, encontrei este artigo sobre os efeitos da bebida sagrada na sensopercepção (“mirações”, entre os adeptos).

O primeiro contraste é entre conteúdo e forma. As visualizações da ayahuasca podem aparecer em diferentes formas. Visualizações podem diferir quanto à intensidade da percepção, estabilidade, extensão temporal e também quanto ao impacto psicológico e/ou espiritual que vêm a ter nas pessoas.

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Gostei deste artigo sucinto sobre uma dos epônimos mais conhecidos da psicopatologia: O delírio de negação de Cotard a Séglas.

Cotard, seguindo Falret (1878), inscreve o delírio de perseguição no conjunto da melancolia. Os clínicos, em seu conjunto, demonstram grande prudência quando se trata de traçar uma linha fixa de demarcação entre perseguição e melancolia verdadeira. Temem o erro de diagnóstico, a confusão que pode alterar tanto o tratamento quanto o prognóstico.

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Gostei dessa matéria do Psychology Today feita para céticos e crentes: Have Scientists Finally Discovered Evidence for Psychic Phenomena?! O texto é sobre novos rumos da pesquisa psicológica de fenômenos ditos paranormais.

So if we accept that these psi phenomena are real, how then can we explain them without throwing out our entire understanding of time and physics? Well, the truth is that these effects are actually pretty consistent with modern physics’ take on time and space.

A matéria baseia-se nos achados do seguinte artigo (no prelo) do dr. Daryl Bem.

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Why Are the Effects of Marijuana So Unpredictable?
é uma matéria que pode interessar ao pessoal que estuda dependência química.

Consider marijuana, which can trigger dramatically different symptoms depending on the strain and context. It’s long been known that different strains of the drug contain various amounts of Tetrahydrocannabinol (THC), the main psychoactive ingredient. When people talk about the effects of the drug – such as giddiness, the munchies, and a sudden desire to watch The Big Lebowski* – they’re typically referring to the effects of THC.

(Via Mind Hacks)

*O Grande Lebowski (foto) é um grande filme, por sinal.

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Predicting Soccer Matches After Unconscious and Conscious Thought as a Function of Expertis
e
é um estudo controlado bem curioso sobre a capacidade de prever resultados no futebol de maneira insconsciente. Parece que não precisa ser especialista no assunto para apostar.

Both experts and nonexperts predicted the results of soccer matches after conscious thought, after unconscious thought, or immediately. In Experiment 1, experts who thought unconsciously outperformed participants in all other conditions. Whereas unconscious thinkers showed a correlation between expertise and accuracy of prediction, no such relation was observed for conscious thinkers or for immediate decision makers.

(via Wired)

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Um apanhado de 50 artigos
curiosos sobre psicologia e internet. Vale a pena ler com calma.

(via Psyblog)

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Matéria do New York Times sobre o enorme lucro gerado pelos antipsicóticos à indústria farmacêutica, enfocando  os novos problemas e desafios relacionados ao uso exagerado dessas medicações. Leitura recomendada a residentes e a psiquiatras que atuam clinicamente.

 

Today, more than a half-million youthstake antipsychotic drugs, and fully one-quarter of nursing-home residents have used them. Yet recent governmentwarnings say the drugs may be fatal to some older patients and have unknown effects on children.

(via Mind Hacks)

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Aqui
, a tradução brasileira (1905) do capítulo sobre a paranoia, extraído da sétima edição alemã (1904) do tratado (Lehrbuch) de psiquiatria de Emil Kraepelin. O autor discute o diagnóstico da paranoia e, particularmente, faz a distinção entre a paranoia e a demência precoce.

Neste se nos apresenta palpavelmente o erro capital da nossa psiquiatria clínica nos últimos decênios; formando como limites do quadro clínico o que é exclusivamente sintomático, baseados sobre hipóteses infelizes. O que estava estabelecido basicamente como oposição entre a alteração da inteligência e do sentimento é apenas um fato psicológico mas nunca clínico.

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Lucian Freud, Lying by the rags (1990)

Artigo útil publicado na Revista Lationamericana de Psicopatologia Fundamental sobre a história e o desenvolvimento do conceito de anorexia.

O jejum autoimposto não significa, necessariamente, um transtorno alimentar e tem uma longa história na vida da humanidade. Sabe-se que vários povos da Antiguidade incentivavam o jejum voluntário como uma prática religiosa e viam na abstinência alimentar uma forma de purificação.

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O escritor americano Edgar Allan Poe (1809-1849) morreu sob cricunstâncias misteriosas aos 40 anos. Poe sofria de alcoolismo e há mesmo a possibilidade de ter tido o que chamamos hoje de transtorno afetivo bipolar. Achei três links interessantes sobre o autor de O Corvo:

Edgar Allan Poe Mistery (texto da University of Maryland sobre as circunstâncias da morte)

Once upon a midnight dreary: the life and addictions of Edgar Allan Poe;

The System of Dr Tarr and Professor Fether (1845) – Psychiatrists in 19th-century fiction
(pequeno texto sobre um conto muito interessante de Poe)

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Madness and the
moon: the lunar cycle and
psychopathology é um curioso artigo alemão publicado no German Journal of Psychiatry que analisa seriamente as possíveis evidências de efeitos da lua sobre o psiquismo. A conclusão é que os estudos que sugerem o chamado “Transilvanian effect” têm falhas metodológicas graves. Os céticos vão gostar.

A high proportion of health professionals continue to hold  the belief that the moon can in some way influence human behaviour. In an unpublished MSc dissertation Angus (1995) reports that 43% of healthcare respondents believed lunar phenomena altered human behaviour.

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Studying mental illness through art certainly aids understanding of both symptoms and treatment, and it is a valid subject for medical students to study. Students went away with a better understanding of mental illness and hopefully some resistance to the stigmatising influences they will encounter in their later experiences in medicine.

O psiquiatra inglês Bob Adams escreve sobre sua experiência de ensino do tema “psiquiatria & arte” para alunos de medicina. O artigo Dark side of the moon: a course in mental health and the arts pode ser valioso para quem se interessa por novas metologias de ensino da psiquiatria. Eu gostei.

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