Archives for category: literatura


Achei brilhante a iniciativa de fazer uma análise quantitativa da cultura a partir da digitalização de  milhões de livros dos últimos cinco séculos.

Uma ótima matéria da Scientific American explica como os grupos envolvidos no estudo utilizam o banco de dados disponibilizado pelo Google. É o tipo de estudo que abre perspectivas fascinantes.

The tool will be “like biology in the sense that you can formulate questions that are quantitative, and you can obtain quantitative answers to them,” Aiden says. But like a genome-wide association study (GWAS), the findings are often just the starting point.

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The Balloon Of The Mind

— William Butler Yeats

Hands, do what you’re bid:
Bring the balloon of the mind
That bellies and drags in the wind
Into its narrow shed.


A BBC disponibiliza um fantástico arquivo de entrevistas (em vídeo) com grandes escritores ingleses. O nome da coleção é In Their Own Words: British Novelists e tem gente como Aldous Huxley, Doris Lessing, William Golding e Virginia Woolf. Imperdível.

Throughout its history, the BBC has aimed to help audiences delve into the imagination of writers. This collection of interviews with some of the 20th Century’s most read authors reveals something of those imaginations and the personalities which lie behind some of the greatest modern novels.

(via Desculpe a Poeira)

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Magnífico arquivo de entrevistas no site da revista literária The Paris Review. Os entrevistados quase sempre são interrogados sobre seu processo criativo. Lá você encontra entrevistas de gente como Woody Allen, Saul Bellow, Italo Calvino e Jorge Luis Borges. O link vai agradar muito a quem gosta de literatura.

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O artigo The chosen research areas of mad scientists, 1810-2010 faz um apanhado divertido das áreas pesquisadas pelos cientistas malucos na literatura, cinema, televisão e quadrinhos do começo do século XIX em diante. O gráfico gerado revela tendências interessantes, como o boom de estudos em física nuclear a partir dos anos 50. No mínimo, curioso.

So what did we discover? First of all, mad scientists have obviously grown in popularity a great deal since the nineteenth century. Of all the sciences, biology seems to enjoy the most adherence from the maniacal – followed closely by its sister discipline, biotechnology.

(Via Mind Hacks)

Artigo relacionado: Arqui-inimigos da Psiquiatria


O escritor americano Edgar Allan Poe (1809-1849) morreu sob cricunstâncias misteriosas aos 40 anos. Poe sofria de alcoolismo e há mesmo a possibilidade de ter tido o que chamamos hoje de transtorno afetivo bipolar. Achei três links interessantes sobre o autor de O Corvo:

Edgar Allan Poe Mistery (texto da University of Maryland sobre as circunstâncias da morte)

Once upon a midnight dreary: the life and addictions of Edgar Allan Poe;

The System of Dr Tarr and Professor Fether (1845) – Psychiatrists in 19th-century fiction
(pequeno texto sobre um conto muito interessante de Poe)

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Studying mental illness through art certainly aids understanding of both symptoms and treatment, and it is a valid subject for medical students to study. Students went away with a better understanding of mental illness and hopefully some resistance to the stigmatising influences they will encounter in their later experiences in medicine.

O psiquiatra inglês Bob Adams escreve sobre sua experiência de ensino do tema “psiquiatria & arte” para alunos de medicina. O artigo Dark side of the moon: a course in mental health and the arts pode ser valioso para quem se interessa por novas metologias de ensino da psiquiatria. Eu gostei.

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“DOS LIVROS INÚTEIS

Que me encontro sentado na proa do navio é algo especialmente engraçado e com certeza tem sua justa causa. Por livros tenho grande apreço e deles possuo um volumoso tesouro. Embora pouco compreenda do que está escrito em qualquer um deles, venero minha biblioteca e não permito que uma mosca sequer lhes cause mal. Quando alguém fala em ciências e artes, logo digo: ‘Em minha casa tenho-as aos montes!’ Afinal, para contentar meu espírito já é suficiente que eu esteja circundado de livros. (…) Ora, quem muito estuda torna-se lunático! Eu sou um senhor de posses, portanto, posso me dar ao luxo de pagar alguém que estude no meu lugar.”

Trecho de A Nau dos Insensatos de Sebatian Brant. recentemente reeditado em português. O livro de 1490, todo ilustrado, é um clássico da literatura satírica medieval. Edição online em alemão aqui.

Esse post vai para do dr. Paulo Hudson, que certamente sabe reconhecer a utilidade dos livros.


Matéria interessante sobre a epilepsia de Dostoiévski que destaca alguns trechos da obra do escritor russo: Diagnosing Dostoyevsky’s epilepsy

An early attempt at diagnosing Dostoyevsky’s condition was made by Sigmund Freud, who trained as a neurologist, and described epilepsy as “an organic brain disease independent of the psychic constitution”. Freud believed that the condition was incompatible with great intellect, because it was “associated with deterioration and retrogression of the mental performance”; “What is generally believed to be epilepsy in men of genius,” Freud wrote, “are always straight cases of hysteria”.

Via Neurophilosophy

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O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia. – Albert Camus

Três links sobre suicídio e poesia:

Trouble é um bonito poema de Matthew Dickman publicado na New Yorker.

O Pensamento Suicida nas Poesias de Álvares de Azevedo é um artigo curioso pra quem se interessa pelos dois temais.

Word Use in the Poetry of Suicidal and Nonsuicidal Poets, analisa “marcadores” na obra poética de autores suicidas. Muito original.


Sempre que tenho a oportunidade  recomendo o conto “Diário de Um Louco” de Nikolai Gogol  (1809-1853) aos residentes e estudantes. A narrativa ilustra com humor e riqueza de detalhes a formação do delírio a partir de uma percepção delirante.

Encontrei dois links interessantes sobre o conto: aqui, um artigo publicado do BMJ e, aqui, um ensaio publicado no ótimo blog Ars Psychiatrica.

Os psiquiatras devem ler ficção? – Essa é a pergunta que Allan Beveridge coloca neste editorial do British Journal of Psychiatry de 2003. Um pouco antigo, mas vale a leitura.

In medicine, the humanities were formerly considered to be an important part of medical education. In the 18th century it was held that the doctor should be a man (it was invariably a man) of culture, and should be well versed in the humanities. This would confer wisdom on his clinical practice

O sucesso atual do filme A Origem (Inception, 2010) me fez lembrar que a temática do sonho dentro do sonho não é nada nova.

Duas referências cruzadas  interessantes são a bela canção Dream Within a Dream do israelense Oren Lavie (do álbum Opposite Side of The Sea, 2009) e o poema com o mesmo título de Edgar Allan Poe (de 1849).

Clique para ouvir a música

Clique para ler o poema.

” Era frei Simão de caráter taciturno e desconfiado. Passava dias inteiros em sua cela, donde apenas saía na hora do refeitório e dos ofícios divinos. Não contava amizade alguma no convento, porque não era possível entreter com ele os preliminares que fundam e consolidam as afeições.(…)

Um dia anuncia-se que frei Simão adoecera gravemente. Chamaram-se os socorros e prestou-se ao enfermo todos os cuidados necessários. A moléstia era mortal; depois de cinco dias, frei Simão expirou.

Durante estes cinco dias de moléstia, a cela de frei Simão esteve cheia de frades. Frei Simão não disse uma palavra durante esses cinco dias; só no último, quando se aproximava o minuto fatal, sentou-se no leito, fez chamar para mais perto o abade e disse-lhe ao ouvido com voz sufocada e em tom estranho:

– Morro odiando a humanidade!”

Trecho inicial do conto “Frei Simão” de Machado de Assis. Extraído da coleção Contos de Machado de Assis (Editora Record). O volume  seis  reúne contos sob o tema “Desrazão“. Recomendo.

Os psiquiatras Suzana Azoubel* e Othon Bastos escreveram um belo estudo patográfico sobre o poeta português Fernando Pessoa.

Para Jaspers, toda vida psíquica é um todo como forma temporal.  Se quisermos apreender um indivíduo, temos de possuir a visão de sua vida desde o nascimento até a morte

Para quem não sabe o que é um estudo patográfico, eis uma boa chance de aprender. Link para o artigo.

* Conheci  Suzana, colega que mora em Recife, há alguns meses durante evento em São Paulo. Na ocasião ela me contou sobre sua interessante e difícil dissertação de mestrado.

” – Preferiria não fazê-lo? – repeti, como um eco, levantando-me muito nervoso e atravessando a sala em grandes passadas. – O que está querendo dizer com isso? Por acaso ficou louco? Quero que me ajude a conferir esta página. Tome aqui.

Estendi-lhe o documento.  Mas Bartleby insistiu:

– Preferiria não fazê-lo.

Fitei-o atentamente. O rosto estava sereno, os olhos vagamente calmos. Não havia qualquer vestígio de agitação

Trecho do conto Bartleby, O Escrivão” de Herman Melville. A narrativa  ilustra sintomas de negativismo e catatonia em meio à vida de burocratas americanos do começo do século XX. Recomendo sempre aos residentes de psiquiatria.