Archives for category: psicopatologia


Os orientais chamam de Jiko-shisen-kyofu um tipo de fobia específica que consiste no temor do paciente de que seu olhar possa ser considerado ofensivo ou cause desconforto em outras pessoas. Esse é um tipo de síndrome que se manifesta dentro do contexto cultural específico da Ásia e não existem correlatos no mundo ocidental.

Aqui, o blog Mind Hacks comenta o recente artigo publicado em The Australian and New Zealand Journal of Psychiatry sobre o assunto.

Such patients feel deeply ashamed, demeaned, and unaccepted, and many eventually avoid social situations. A diagnosis of phobia of one’s own glance is not contingent upon whether or not a patient considers his or her thoughts to be excessive; therefore, neither the presence nor a lack of insight is essential for the diagnosis.

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Essa eu não conhecia: a síndrome de Stendhal é a ocorrência de taquicardia, tontura e sensação de desmaio diante de obras de arte, particularmente as mais belas. Um artigo do Guardian explora o assunto: Does great art make you ill?

It was first recorded by the 19th-century novelist and art critic Stendhal in Florence, and so scientists are to monitor the vital signs of tourists in Florence after they see works of art.

Encontrei mais informações no ótimo blog A Arte da Medicina

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A ótima matéria Redefining Mental Illness publicada na Seed apresenta algumas referências importantes que podem influenciar os rumos tomados pelas novas classificações dos transtornos mentais (leia-se CID-11 e DSM-V).

One of the biggest changes in their proposed definition is the statement that a mental disorder “reflects an underlying psychobiological dysfunction.” They are, in essence, saying that there is nothing truly “mental” about these disorders—the disorders are a result of physical problems in the brain.

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Como sabemos que uma hora se passou sem olhar no relógio? Um artigo da Mad Science faz um apanhado bem acessível do que se sabe sobre como nosso cérebro vive o tempo: How do you really know what time it is?

In a series of experiments, Van Wassenhove and her colleagues found that what you see can change time perception. For example, if an object is looming in your vision and appears to be getting closer, perceptive time gets slower.

• Bônus: um artigo sobre a obra “O Tempo Vivido” de Eugène Minkowski, um clássico da psicopatologia fenomenológica.

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Muitas vezes é difícil explicar para os alunos e residentes de psiquiatria o que são, dentro das alterações da psicomotricidade, os maneirismos. Acho que a hilária esquete do Monty Python, Ministry of Silly Walks, ilustra muito bem o que seriam maneirismos da marcha.

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Dois artigos interessantes (com dois pares de casos) sobre sintomas obsessivos envolvendo música:

Are Musical Obsessions a Temporal Lobe Phenomenon?

Clinical features in two cases with musical obsessions who successfully responded to clomipramine

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O show do Paul McCartney ontem no Morumbi deixou todo mundo com SOC desse tipo : )


Phineas Gage é o exemplo sempre citado quando se fala de alterações da personalidade relacionadas a lesões no lobo frontal. Achei um ótimo texto no Guardian com a extraordinária história do sujeito que teve o cérebro atravessado por uma barra de ferro e sobreviveu, mas com profundas mudanças na personalidade.

Gage was preparing for an explosion, using the tamping iron he holds in the photograph to compact explosive charge in a borehole. As he was doing so, the iron produced a spark that ignited the powder, and the resulting blast propelled the tamping iron straight through his head.

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Ou: Ouija, efeito ideomotor & ceticismo.

Passeando pelo Desde el Manicómio encontrei uma citação ao efeito ideomotor. Pesquisando um pouco mais, achei a entrada referente à Ouija Board em The Skeptic’s Dictionary. Uma curiosidade: o documento de patente do tabuleiro de Ouija, de 1921, já menciona o tal efeito ideomotor.

Não sabe sobre o que estou falando? Clique nos links para entender.

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Mais um texto sobre um dos meus temas favoritos, a relação entre criatividade e transtorno mental. Em The Essential Psychopathology Of Creativity , a autora toca nos principais pontos sobre a mania e sua influência na produção intelectual.

Is there a difference between being hypomanic and being extremely creative?  Yes, there is.  While being an intensely creative person may imply you are meeting most of those criteria a lot of the time when you are in that state of flow, that doesn’t mean you are dysfunctional.

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A matéria Manic Panic – Why are more and more children being diagnosed with bipolar disorder? publicada na Slate trata do delicado tema do diagnóstico de transtorno bipolar na infância. O texto cita alguns best-sellers americanos sobre o assunto que expandem a fronteira do diagnóstico de forma perigosa.

But criticizing widespread proliferation and drug treatment of pediatric bipolar disorder misses the important underlying problem. Normal families don’t seek out stigmatizing labels and give their kids scary drugs for the hell of it. They do these things because they are at wit’s end.

Leitura interessante não só para o pessoal da psiquiatria infantil.

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Transtorno bipolar na infância, livros, hiperatividade


A medicina adora epônimos. Na psiquiatria não poderia ser diferente: há várias síndromes que levam o nome das célebres pessoas que as descreveram originalmente. Achei um artigo de revisão muito útil que funciona como uma espécie de mini-dicionário dos epônimos na psiquatria. Bom para ter nos favoritos:

Beyond Wernicke’s – A Lexicon of Eponyms in Psychiatry

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No último Congresso Brasileiro de Psiquiatria tive a oportunidade de assistir a uma mesa muito informativa de estudos sobre os efeitos cognitivos da ayahuasca, uma bebida utilizada em rituais religiosos como o Santo Daime e a União do Vegetal.

Pesquisando sobre o tema, encontrei este artigo sobre os efeitos da bebida sagrada na sensopercepção (“mirações”, entre os adeptos).

O primeiro contraste é entre conteúdo e forma. As visualizações da ayahuasca podem aparecer em diferentes formas. Visualizações podem diferir quanto à intensidade da percepção, estabilidade, extensão temporal e também quanto ao impacto psicológico e/ou espiritual que vêm a ter nas pessoas.

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Alguns livros clássicos da literatura psiquiátrica (para download ou leitura online):

The Anatomy of Melancholy (1621) – Robert Burton (inglês, original)
Des Maladies Mentales Vol.1 & Vol. 2 (1838)- Jean-Étienne Esquirol (francês, original)
Traité des Maladies Mentales (1860) – B. A. Morel (francês, original)
Dementia Præcox and Paraphrenia (1919) – Emil Kraepelin (inglês, traduzido do alemão)
Traité Médico-philosophique sur L’Aliénation Mentale (1809) – Philippe Pinel (francês, original)
Lehrbuch der Psychiatrie (1911) – Eugen Bleuler (alemão, original)
Textbook of psychiatry (1924) – Eugen Bleuler (inglês, traduzido do alemão)

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Gostei deste artigo sucinto sobre uma dos epônimos mais conhecidos da psicopatologia: O delírio de negação de Cotard a Séglas.

Cotard, seguindo Falret (1878), inscreve o delírio de perseguição no conjunto da melancolia. Os clínicos, em seu conjunto, demonstram grande prudência quando se trata de traçar uma linha fixa de demarcação entre perseguição e melancolia verdadeira. Temem o erro de diagnóstico, a confusão que pode alterar tanto o tratamento quanto o prognóstico.

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Aqui
, a tradução brasileira (1905) do capítulo sobre a paranoia, extraído da sétima edição alemã (1904) do tratado (Lehrbuch) de psiquiatria de Emil Kraepelin. O autor discute o diagnóstico da paranoia e, particularmente, faz a distinção entre a paranoia e a demência precoce.

Neste se nos apresenta palpavelmente o erro capital da nossa psiquiatria clínica nos últimos decênios; formando como limites do quadro clínico o que é exclusivamente sintomático, baseados sobre hipóteses infelizes. O que estava estabelecido basicamente como oposição entre a alteração da inteligência e do sentimento é apenas um fato psicológico mas nunca clínico.

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Lucian Freud, Lying by the rags (1990)

Artigo útil publicado na Revista Lationamericana de Psicopatologia Fundamental sobre a história e o desenvolvimento do conceito de anorexia.

O jejum autoimposto não significa, necessariamente, um transtorno alimentar e tem uma longa história na vida da humanidade. Sabe-se que vários povos da Antiguidade incentivavam o jejum voluntário como uma prática religiosa e viam na abstinência alimentar uma forma de purificação.

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Madness and the
moon: the lunar cycle and
psychopathology é um curioso artigo alemão publicado no German Journal of Psychiatry que analisa seriamente as possíveis evidências de efeitos da lua sobre o psiquismo. A conclusão é que os estudos que sugerem o chamado “Transilvanian effect” têm falhas metodológicas graves. Os céticos vão gostar.

A high proportion of health professionals continue to hold  the belief that the moon can in some way influence human behaviour. In an unpublished MSc dissertation Angus (1995) reports that 43% of healthcare respondents believed lunar phenomena altered human behaviour.

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Studying mental illness through art certainly aids understanding of both symptoms and treatment, and it is a valid subject for medical students to study. Students went away with a better understanding of mental illness and hopefully some resistance to the stigmatising influences they will encounter in their later experiences in medicine.

O psiquiatra inglês Bob Adams escreve sobre sua experiência de ensino do tema “psiquiatria & arte” para alunos de medicina. O artigo Dark side of the moon: a course in mental health and the arts pode ser valioso para quem se interessa por novas metologias de ensino da psiquiatria. Eu gostei.

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"Mania puerperal" - estado agudo e convalescente.

Bom artigo sobre a história do uso da fotografia na prática psiquiátrica: A Fotografia Psiquiátrica no Século XIX: Hugh W. Diamond

Havia a proposição de que a fisionomia individual seria reveladora de tipos específicos de caráter, associados a determinados perfis de doença ou a perfis criminais. Assim, a representação fotográfica passou a ser utilizada não como a reveladora de individualidades, mas como instrumento “científico” capaz de estabelecer a identificação de um determinado indivíduo a uma categoria específica de tipologia.

Ainda sobre o fotógrafo pioneiro: Dr. Hugh Welch Diamond, padre de la fotografía psiquiátrica.

Bom artigo sobre cinema e psiquiatria: Psicopatologia no cinema brasileiro: um estudo introdutório

Os filmes selecionados trazem elementos diagnósticos (sinais e sintomas) que podem ser especialmente úteis no ensino de algumas das principais síndromes psiquiátricas. As cenas selecionadas permitem, em uma sala de aula, trazer à tona discussões sobre patologia geral e especial: esquizofrenia, depressão, suicídio, síndromes delirantes, abuso e dependência de drogas (sobretudo álcool, cocaína e maconha) e, principalmente, transtorno de personalidade.

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